Educação Escolar de Pessoas
com Surdez
Atendimento Educacional
Especializado em construção
Ao longo da história da
Educação da Pessoa com Surdez tem ocorrido um conflito entre os gestualistas e
os oralistas, enfatizando que o sucesso ou o fracasso da educação dessas
pessoas está centrado na adoção de uma ou de outra concepção com suas práticas pedagógicas
específicas, no entanto, todo esse conflito não tem alcançado os objetivos
favoráveis às pessoas com surdez, pois não visa desenvolver seu potencial individual e coletivo.
Estas pessoas precisam
ser vistas como
cidadãos que tem potencial, não como pessoas doentes. Precisam ser vistas como
pessoas que tem apenas certa limitação, o fato de não ser ouvinte, mas que
dispõem de capacidade para se comunicar e precisam ser estimuladas a
desenvolver suas potencialidades e habilidades a partir de suas vivências
cotidianas.
O embate entre oralistas e
os gestualistas segundo, Damázio, prejudica o desenvolvimento das pessoas com
surdez na instituição escolar quando canaliza a atenção dos profissionais para
o problema da língua em si. Ficou explícito que para Damázio, o foco do
fracasso escolar se dar
também na qualidade e na eficiência das práticas pedagógicas.
A atenção deve estar centrada, primeiramente, no potencial natural
que esses seres humanos têm, independente de deficiência, diferença, limites ou
mesmo do marcador surdo. Nessas pessoas, se lhes forem criados ambientes
propícios para desenvolverem o seu potencial, as marcas do déficit, da falta,
da falha e da deficiência serão secundarizadas e será exaltado o seu potencial
humano. (DAMÁZIO,p.49, 2010)
O atendimento educacional
especializado para pessoa com surdez deve promover um ambiente onde o aluno tenha
a oportunidade de questionar, levantar ideias, entrar em conflitos e buscar
respostas para os seus questionamentos, em suma, que este ambiente o torne um
ser humano crítico e reflexivo, capaz de viver com independência em todo o seu
contexto social.
Este atendimento se dar a
partir da compreensão e do reconhecimento do potencial e da capacidade desse
ser, focando em seu desenvolvimento e aprendizagem, respeitando suas
diferenças.
[...] nesse processo educativo de contatos humanos, a educação no
atendimento educacional especializado para a pessoa com surdez significa
preparar para a individualidade e a coletividade , provocando um processo
comunicacional-dialogal-global, buscando a superação da imanência, da
imediaticidade e buscando a transcendência do social, do cultural e do
histórico-ideológico, com ruptura de fronteiras, e deflagrando uma sociedade
mais solidaria, fraterna e humana, em que os saberes não aprisionem o corpo e a
mente ao poder, mas possam liberá-lo. (DAMÀZIO, p.57, 2010).
Referência:
DAMÁZIO, M. F. M.; FERREIRA, J. Educação Escolar
de Pessoas com Surdez-Atendimento Educacional Especializado em Construção.
Revista Inclusão: Brasília: MEC, V.5, 2010. p.46-57