terça-feira, 18 de março de 2014

Educação Escolar de Pessoas com Surdez Atendimento Educacional Especializado em construção



Educação Escolar de Pessoas com Surdez
Atendimento Educacional Especializado em construção


Ao longo da história da Educação da Pessoa com Surdez tem ocorrido um conflito entre os gestualistas e os oralistas, enfatizando que o sucesso ou o fracasso da educação dessas pessoas está centrado na  adoção de uma ou de outra concepção com suas práticas pedagógicas específicas, no entanto, todo esse conflito não tem alcançado os objetivos favoráveis às pessoas com surdez, pois não visa desenvolver seu  potencial individual e coletivo.
Estas pessoas  precisam ser vistas  como cidadãos que tem potencial, não como pessoas doentes. Precisam ser vistas como pessoas que tem apenas certa limitação, o fato de não ser ouvinte, mas que dispõem de capacidade para se comunicar e precisam ser estimuladas a desenvolver suas potencialidades e habilidades a partir de suas vivências cotidianas.
O embate entre oralistas e os gestualistas segundo, Damázio, prejudica o desenvolvimento das pessoas com surdez na instituição escolar quando canaliza a atenção dos profissionais para o problema da língua em si. Ficou explícito que para Damázio, o foco do fracasso escolar  se dar também na qualidade e na eficiência das práticas pedagógicas.


A atenção deve estar centrada, primeiramente, no potencial natural que esses seres humanos têm, independente de deficiência, diferença, limites ou mesmo do marcador surdo. Nessas pessoas, se lhes forem criados ambientes propícios para desenvolverem o seu potencial, as marcas do déficit, da falta, da falha e da deficiência serão secundarizadas e será exaltado o seu potencial humano. (DAMÁZIO,p.49, 2010)



O atendimento educacional especializado para pessoa com surdez deve promover um ambiente onde o aluno tenha a oportunidade de questionar, levantar ideias, entrar em conflitos e buscar respostas para os seus questionamentos, em suma, que este ambiente o torne um ser humano crítico e reflexivo, capaz de viver com independência em todo o seu contexto social.
Este atendimento se dar a partir da compreensão e do reconhecimento do potencial e da capacidade desse ser, focando em seu desenvolvimento e aprendizagem, respeitando suas diferenças.


[...] nesse processo educativo de contatos humanos, a educação no atendimento educacional especializado para a pessoa com surdez significa preparar para a individualidade e a coletividade , provocando um processo comunicacional-dialogal-global, buscando a superação da imanência, da imediaticidade e buscando a transcendência do social, do cultural e do histórico-ideológico, com ruptura de fronteiras, e deflagrando uma sociedade mais solidaria, fraterna e humana, em que os saberes não aprisionem o corpo e a mente ao poder, mas possam liberá-lo. (DAMÀZIO, p.57, 2010).



Referência: 
DAMÁZIO, M. F. M.; FERREIRA, J. Educação Escolar de Pessoas com Surdez-Atendimento Educacional Especializado em Construção. Revista Inclusão: Brasília: MEC, V.5, 2010. p.46-57

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